Esta semana há jackpot no euromilhões. 80 milhões de Euros. É muito dinheiro... tanto que nem tenho a noção de quanto é. Apenas sei que dava para comprar muita coisa.
Ora hoje aqui no trabalho foi dia de "fazer contas á vida", que é como quem diz ao milhões. Eu permaneci na minha, sem revelar a ninguem o que gostaria de fazer se eu fosse a contemplada com aquela quantia.
Futilidades... sim futilidades.
Por quase uma meia hora ouvi a historia de uma colega, que ontem passou o serão a fazer contas. Mil para aqui.... Mil para acolá... repartiu toda a colheita.
Casas de milhares, herdades de milhões. Carros e carrinhos tudo topo de gama, tudo muuuuito caro, tudo em prol do "estatus" Ela, o marido e os filhos, á grande e á francesa para o resto da vida de papo para o ar sem mexer uma palha.
Futilidades do tipo arcas para conservar charutos!!!??? Sim ok... nada de novo. Há muito que me apercebi que é o dinheiro (muito) que os move, quando na realidade não teem nada por aí alem.
Vivem a fazer contas com heranças.
Zangam-se com a familia por causa de partilhas.
As chamadas heranças em vida.
Eu nunca tive nada. Perdi o neu pai em pequena, a minha mãe comeu o pão que o diabo amassou para nos por comer na mesa, para nos vestir, para nos dar o minimo de conforto, educação (a mim e a minha irmã). Um minimo que para ela era o máximo que podia. Para isso trabalhava de sol a sol, de enxada na mão a fazer trabalho de homens. Para isso trabalhava em casa de senhoras, limpava, lavava, passava, cozinhava, cuidava das crianças. Chegou a ter 5 e 6 patroas onde ia aos dias ou ás horas.
Mas conseguiu. Nunca nos faltou nada. Sempre tivemos que comer, vestir e calçar. Estudamos ambas até ao 12º ano, tiramos cursos tecnico-profissionais e ambas temos um emprego.
Tivemos carinho. Tivemos acima de tudo valores morais que nos prepararam para a vida e que, não nos deixam ser futeis.
Por isso, enquanto cada um distribuia os "seus" milhões, eu aenas sorria.
Sim porque eu tambem sabia onde gastar os meus. Eu que até ficava feliz da vida se apenas ganha-se o suficiente para ter a minha casa própria, ou uma ajuda.
Eu distribuia os meus milhões... sou uma mãos largas e casei com a madre Teresa de Calcutá em pessoa.
Assegurava a velhice da minha mãe e dos meus sogros e da minha avó.
A minha mãe nunca mais trabalhava, apenas o faria se quisesse sentir-se util. A nossa casa, onde ela mora era toda restaurada.
Os meus sogros não mais precisavam de se preocupar com o fim do mês e com o facto de nem sempre terem dinheiro para a renda ou para comerem. Arranjava-lhes uma casa e assegurava que nadas lhes faltava.
Dava um presente a cada irmão do S. (mesmo que não mereçam muito... pensava nos nossos sobrinhitos)
A minha irmã tambem não iria ter problemas em arranjar o cantinho dela. Pagava-lhe o casamento e ajudava na casa/carro.
Depois de todos tarem bem, comprava a casa onde moro. A nossa primeira casa.
Fazia uma vivenda para nós morarmos, com jardim para podermos ter animais e para os nossos futuros filhos poderem brincar.
Podiamos dar-nos ao luxo de termos 2 carros e um bocadinho melhores (mas nada de porches, ferraris ou bentleys)
Doava algum dinheiro ou criava a minha propria fundação para ajudar crianças.
Financiava um canil/gatil para recolher os animais que andam aí abandonados e a morrer nessas estradas.
Doava dinheiro á fabrica da igreja da minha terra, pois precisamos de obras na igreja, e na casinha que compraram para dar apoio, na catequese. Preciamos de uma casa mortuaria. Sei que por tudo o que a minha mãe já passou e deu ao serviço da terra ia ficar muuuito feliz.
Claro que a esta altura ainda me sobravam alguns milhões.
Claro que assegurava o meu proprio futuro. O meu não, o nosso. Claro que nunca mais seria preciso fazer contas no supermercado, nem ter problemas em comprar esta ou aquela roupa e coisas assim do genero. Mas não ia estragar.
Certificava-me que colocava a render no banco o suficiente para que rendesse quanto baste para me assegurar rendimento suficiente para viver mensalmente dos juros, sem ter que contar tostões, para que nada falta-se a mim e aos meus.
Aproveitava para poder conhecer mundo.
O unico luxo que me ia dar era um trantamento para mim, para a minha mãe, sogra e irmã, num spa. Massagens, tratamentos celulite/emagrecimento, pele sei lá mais o que.
Quanto a não fazer mais nada durante o resto da vida... mete-me medo, soa-me a tédio.
Ou arranjava um negocio na área da hotelaria e turismo, junto á praia. Uma coisa pequena, com muito bom ambiente ou então voluntariado em hospitais ou lares de crianças.
A unica coisa que realmente me importava no fundo era garantir que, nem faltava nada aos meus. Poder assegurar um futuro mais risonho e seguro aos meus futuros filhos.
E pronto... sonhar não custa dinheiro.
quarta-feira, outubro 11, 2006
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