sexta-feira, maio 18, 2007

A ti PAI

Faz hoje 17 anos que te vi pela ultima vez...
Fez ontem 17 anos que olhaste para mim pela ultima vez...

Recordo-me como se fosse hoje.

O teu olhar triste, mas cheio de carinho que me lanças-te enquanto te colocavam na ambulancia. Em silencio os teus olhos diziam "Amo-te filha" e despediam-se de mim ao mesmo tempo. Na inocencia dos meus 12 anos consegui senti-lo.
Acho que no fundo ambos sabiamos que não nos veriamos mais.

Nesse dia, acabou o teu sofrimento... começou o meu.

Que saudades PAI, que saudades tenho de ti e de tudo o que podiamos ter feito juntos.

Lembro-me de tudo, continua tudo tão presente na minha memória. As coisas que já me esqueci nestes anos todos. Os rostos que já não lembro... No entanto aquele teu olhar continua gravado na minha mente, no meu coração, tão forte... tão presente... tão marcado.

Recordo-me do que vestia, recordo-me que estava na rua num cantinho do jardim a chorar pois no fundo sabia que não irias voltar a entrar por aquela porta. Por isso quando chegou a noticia e quizeram que fosse para a escola eu neguei, finquei pé e não saí dali.
A noticia que mais temiamos há meses, e aquela que sabiamos que chegaria a qualquer momento tinha-nos batido á porta. A MORTE roubou-te de nós.

AMO-TE PAI...

Recordo-me daquela noite que passei em claro em casa do meu padrinho, enquanto todos queriam que eu fosse dormir eu não tinha sono algum e só queria estar junto de ti. Queria aproveitar todos as horas, minutos e segundos para estar contigo, afinal quando fosses para a tua ultima morada não mais te podia vêr, tocar...

Recordo-me das festas e beijos que te dei enquanto "dormias" e todos choravam á tua volta. Não era só eu que gostava de ti (para alem da mãe da mana e da avó) TODOS gostavam de ti.
As vezes que eu compus o teu lençol... ajeitei as tuas mãos e afaguei o teu cabelo.

Recordo o mar de gente que te acompanhou á tua ultima morada. Os amigos que se acotevelavam pois todos te queria levar em ombros. O carro apinhado de flores e todas as outras que carregavamos.
Recordo-me das minhas lagrimas, recordo-me das lagrimas das muitas centenas de pessoas que comigo choravam em unissono.

Que SAUDADES.

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá Micas,
Que pena que voltou a blogar tão triste, mas eu também a entendo porque eu perdi meu pai a dez anos atrás, tanbém num mês de maio mas precisamente no dia das mães, também foi muito triste e eu como você ainda lembro do seu último olhar.
Mas a vida continua e nós ainda estamos por aqui para continuar a vivê-la.
Bjs.
E até breve...