quinta-feira, junho 01, 2006

O meu pai




Perdi o meu pai há 16 anos. 17de Maio de 1990 vai ser um dia que nunca mais vou esquecer, recordo-me como se fosse hoje, recordo-me inclusivé do que vestia. Nunca mais consegui vestir nem a saia vermelha nem a t-shirt azul e branca. Tinha eu 12 anos. Não me lembro de coisas que aconteceram depois, há bastante menos tempo, mas os olhos do meu pai a olharem para mim, quando entrou na ambulancia e me disse "Até logo rosinha..." desses nunca me hei-de esquecer. Nesse momento os olhos trairam-no... a boca disse até logo, os olhos despediram-se para sempre.
Foram tempos dificeis os que antecederam e os que vieram depois desse dia... sofremos muito, eu e a minha irmã, porque eramos crianças e não conseguiamos entender certas coisas. Não podiamos brincar dentro casa para não podermos fazer barulho, havia dias em que ele não nos queria ver... Vê-lo ali deitado a definhar quando o pai que sempre conhecemos não parava um minuto...
Foi dificil para a minha avó, pedeu o filho unico, criado como se fosse um deus, pois toda a vida viveu só para aquele filho.
Mas foi muito mais dificil para a minha mãe. Não sei se eles tinham uma relação muito boa, não me lembro de os ver brigar, mas apercebo-me agora que cresci, que havia muitas diferenças, agravadas pela intromissão da minha avó na vida deles (mas isso são outras historias). O que sei, é que ela passou meses, a acompanha-lo ao IPO, sozinha carregou o fardo da frase que o medico lhe disse "ele não chega ao Natal". Ela sabia que o meu pai ia morrer e guardou para ela, não podia dizer a ninguem, nem chorar podia. Ela é a minha heroina, por tudo o que já passou e pela maneira que continua a encarar a vida. Amo-te Mãe.
A mim, fez-me muita falta. Economica e emocionalmente. Sei que teria tido menos liberdade mas talvez isso tivesse sido bom. 16 anos passaram e quase todos os dias me lembro dele.
Esta noite sonhei com ele. Foi tão estranho. Estava numa festa, era em minha casa mas não sei bem o que se comemorava, sei que havia muita gente, que havia um jardim muito grande com relva muito verdinha, crianças a brincar nela. Eu estava sentada num banco a olhar para as crianças e a minha mãe chega ao pe de mim e diz-me que a minha surpresa tinha chegado... A surpresa era um convidado que eu não esperava... assim que manda o "tal" convidado entrar... Foi um impacto enorme, era ele O Meu Pai. Agarrei-me a ele a chorar, e perguntei porque é que me tinham dito que ele tinha morrido, se era mentira. Ele não me respondeu, acordei naque instante.... Não lhe ouvi a voz mas senti-o, senti-lhe o cheiro... acordei com aquele cheiro impregnado no meu nariz.
Fiquei triste, era apenas um sonho...
Não sei se é verdade que os sonhos têm significado... mas esta não é a primeira vez que sonho com o regresso do meu Pai. Apenas mudam os locais... Estranho.

1 comentário:

Dolfy disse...

Oi linda! Ja chorei ao ler o teu post... é muito bom esse sentimento q tens pelo teu pai e tenho a certeza q teja ele onde tiver tem muito orgulho na sua filha!
Eu infelizmente n tenho uma relação boa com o meu, ele está de facto vivo, mas nem sequer nos falamos, e qd falamos é para discutir! Nunca vou saber o que é ter um pai de verdade, pois a minha familia é muito complicada e amor foi coisa q sempre faltou, dizem q foi em prol de ter q ganhar dinheiro para as filhas(sim tambem tenho uma irma), mas isso nao é desculpa, eu preferia mil vezes ter passado dificuldades economicas na minha infancia (agora q sou adulta ja passo essas dificuldades economicas) e ter sido abençoada com muito amor e carinho!
Enfim nao se pode ter tudo né? Mas de facto a minha familia nao é exemplo para ninguem e isso deixa o meu coração partido embora diga q nao, mas essa é a verdade!
Bem ja chega de falar de minha vida q ja me tou a esticar no comentaro :P
Um beijo grande e força!!!